APRESENTAÇÃO

  Caixa de texto: GRUPO DE ESTUDO TRANSDISCIPLINAR 
Psicologia & Tradição Nativa
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Em 2001, após quase 40 anos da instituição da Psicologia como profissão no Brasil criaram-se as novas Diretrizes Curriculares Nacionais para orientar a formação de alunos nos cursos de graduação em Psicologia. Na ocasião chegava-se à conclusão que:

“Substanciais desenvolvimentos científicos e profissionais, acumulados ao longo das quase quatro décadas de sua vigência. Enquanto ciência ampliaram-se as categorias de questões estudadas, novas sub-áreas de investigação emergiram, sofisticaram-se e diferenciaram-se metodologias e instrumentais de pesquisa.  Enquanto profissão observou-se crescente possibilidade de atuação voltada para a promoção da qualidade de vida e para a prevenção.  Observou-se também uma migração para o trabalho em equipe multidisciplinar e uma expansão dos contextos de atuação. Neste mesmo período foram criadas as pós-graduações na área e surgiram associações científicas e profissionais específicas” (PARECER Nº: CNE/CES   072/2002)

Todas essas questões levaram ao estabelecimento de Diretrizes voltadas para o desenvolvimento de competências e habilidades a fim de se poder lidar com os novos desafios.

O debate sobre a aproximação da Psicologia com os Povos Indígenas inaugurou-se oficialmente no "Seminário Subjetividade e Povos Indígenas" realizado em Luziânia, DF, de 5 a 7 de novembro de 2004 promovido pelo Conselho Federal de Psicologia em parceria com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) embora, evidentemente, já houvesse psicólogos pesquisando e atuando na área antes disso. A partir desse encontro, o CRP-SP começou a fomentar ações que pudessem promover essa aproximação. Em 2006 houve a criação de uma lista de discussão na Internet psicologia-indigenas@yahoogrupos.com.br  que visava reunir psicólogos e profissionais de áreas afins que pudessem ter alguma aproximação com questão indígena. Dessa lista surgiram encontros presenciais em 2007 e, finalmente em 2008 a criação do GT Psicologia e Povos Indígenas www.crpsp.org.br/povos   que está empenhando-se na criação de referenciais para orientação do psicólogos no trato com essas populações. A sucessão dos debates realizados nos eventos promovidos pelo GT e o contato com os pesquisadores da área têm enfatizado o desejo de serem aprofundas as reflexões e desta forma surge o anseio pela criação de  um Grupo de Estudos.

A Transdisciplinaridade é uma abordagem científica que vem se empenhando no sentido de promover a integração dos Saberes, numa concepção que enfatiza a importância do pluralismo epistemológico. Acredita-se que tal concepção possa contribuir de maneira significativa na promoção do diálogo de integração da Psicologia com os Povos Indígenas, por se entender que não é só por meio do saber lógico-epistêmico próprio da ciência moderna que se produz conhecimento ou que se encontrem as soluções para os graves problemas da contemporaneidade. Para haver uma real integração da Psicologia com a Questão dos Povos Indígenas tão espoliados ao longo dos séculos  é preciso que se resgate a importância de seus próprios Saberes que serão colocados em diálogo em igualdade de condições com os Saberes da Ciência Psicológica contemporânea. É neste contexto que se evoca o décimo artigo da Carta da Transdisciplinaridade:

“Artigo 10:
Não existe um lugar cultural privilegiado de onde se possam julgar as outras culturas. O movimento transdisciplinar é em si transcultural.”

É fundamental que se compreenda que a transdisciplinaridade de forma alguma se opõe a disciplinaridade própria da ciência moderna, antes a complementa estabelecendo graus de profundidade. Desta forma, entende-se que a abordagem disciplinar promova um aprofundamento de conhecimentos de forma vertical (especialização) ao abordar seu objeto de estudo; que o conhecimento multidisciplinar promova o diálogo horizontal e vertical entre as diferentes disciplinas que compartilham seus objetos de estudo; que o conhecimento interdisciplinar promova um intercâmbio de metodologias podendo também levar ao surgimento de novos objetos e novas disciplinas e que o conhecimento transdisciplinar busque a integração dos elementos disciplinares, daqueles que estão entre as disciplinas e de outros que estejam além das disciplinas promovendo, como já se afirmou, a integração dos Saberes.  É neste contexto que surge o Grupo de Estudo Transdisciplinar Psicologia & Tradição Nativa.

 

 

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